O FUTURO DOS COMBUSTÍVEIS E OS JOGOS DO PODER

A idade da pedra chegou ao fim, não porque faltassem pedras; a era do petróleo chegará igualmente ao fim, mas não por falta de petróleo” (Ahmed Yamani, ex-ministro da OPEP)
Vamos falar hoje sobre O FUTURO DOS COMBUSTÍVEIS E OS JOGOS DO PODER:


Desde o século passado o petróleo é o principal combustível usado no mundo e também é uma das principais matérias primas para uma gama praticamente infinita de produtos. Assim sendo é perceptível o poder que a indústria do petróleo detém em todo mundo, considerando que somente em geração de energia o “ouro negro” corresponde sozinho à aproximadamente 32% da matriz energética mundial segundo os dados publicados pelo Internacional Energy Agency.
Em contrapartida é sabido que o uso intensivo de combustíveis fósseis é prejudicial no longo prazo, sobretudo em relação aos impactos ambientais causados pela combustão. Outro fato relevante é que o petróleo não renovável. Estudos divulgados pela British Petroleum estima-se que o a reservas de petróleo, considerando os estoques atuais, poderão acabar nos próximos 60 a 70 anos.
Em contrapartida vivenciamos um avanço considerável na última década do desenvolvimento de combustíveis sustentáveis (aqueles oriundos da biomassa) e de geração de energias limpas e alternativas.
Nessa linha de pensamento cabe refletir sobre um possível conflito existente as novas alternativas de combustíveis e energias sustentáveis versus a poderosa indústria petrolífera, a qual poderá sofrer um enfraquecimento com o advento das novas alternativas energéticas.
O FUTURO DOS COMBUSTÍVEIS
A indústria petrolífera é constituída basicamente por poucos grupos que juntos detém a maior parte da produção e distribuição deste combustível, essa forma organizacional fomenta a concentração do poder econômico, comercial e político. Dessa forma a ideia de uma futura redução no consumo petrolífero mundial esbarra nos interesses desses grupos onde a maior parte da receita é oriunda do consumo vertiginoso.
A trajetória da sociedade é marcada constantemente por pressões entre grupos em prol dos seus próprios interesses, que barganham ativamente com a finalidade de exercer influencia e obter um nível de controle uns sobre os outros. No mundo corporativo e político essa atividade é denominada de lobby, ou seja, empresas ou políticos utilizam das ferramentas (influencia, poder, interesses em comum) para exercer uma “coação” em grupos específicos para executem algo em favor dos primeiros.
Um documentário interessantíssimo que foi lançado em 2016 e que retrata muito bem, e com uma pitada de teoria da conspiração, o poder da influência do lobby das indústrias petrolíferas é o Who Killed the Electric Car. Nesse documentário o diretor Chris Paine retrata de forma muito clara o jogo de poder entre o desenvolvimento de energias e combustíveis limpos (no caso o carro elétrico) e a luta da indústria do petróleo em tentar barrar o avanço desse projeto. A ideia é que esses megagrupos petrolíferos estão enraizados na política através do lobby e de pressões judiciais, dessa forma aplicam o seu poder colocando barreiras ao desenvolvimento de novas tecnologias que poderão conflitar com seus interesses lucrativos no longo prazo.
Conspirações à parte, cabe também levantar iniciativas da própria indústria do petróleo e prol de energias e combustíveis sustentáveis. Um grande exemplo é a Nest Corporation (abordada no post “Sustentare” aqui no WeFollow), onde 50% de seus investimentos são direcionados à pesquisa e desenvolvimento de já combustíveis alternativos. Outro ponto relevante a essa discussão é variação do valor do petróleo nos últimos meses, motivado principalmente pelas tensões econômicas entre EUA e China que impactaria diretamente a demanda por essa commodity em todo o mundo.
Com a queda da rentabilidade na exploração e comercialização do petróleo, os grandes players do mercado passam a vislumbrar novas alternativas para manter o nível de oferta energética mundial e também os níveis de rentabilidade. É nesse ponto que a coparticipação entre a indústria do petróleo e a indústria das energias limpas e sustentáveis passa a se realizar.
Um bom exemplo dessa relação mutua entre as indústrias citadas é o desenvolvimento de veículos híbridos, ou seja, veículos que ainda possuem um motor de combustão que é auxiliado por um motor elétrico. Uma iniciativa dessa coparticipação que já está em andamento no Brasil é o uso de ônibus híbridos para o transporte público em algumas cidades. A ideia consiste que durante a locomoção promovida pela combustão do diesel os veículos possam produzir e armazenar energia elétrica que será utilizada no próximo ciclo de viagem.
A ideia de uma transição completa do uso do petróleo como fonte de energia é um caminho longo a ser percorrido pela humanidade, considerando que o nível atual de consumo global é possível (fora outras variáveis produtivas) dada a versatilidade do uso dessa commodity como matéria prima e como combustível principal mundial. Uma mudança dessa magnitude poderia ocorrer somente se o custo para a exploração do petróleo se tornasse algo inviável economicamente.
A coparticipação entre as energias limpas e os combustíveis fosseis é uma saída admissível para a atualidade, muito embora o senso de urgência para essa transição seja elevado e os dados sobre a “saúde” do planeta evidenciam isso ano a ano.
Quando um sistema é muito bem estruturado e existe muito poder envolvido a ideia de mudar o modus operandi dessa lógica deve partir de dentro, ou seja, a própria indústria do petróleo deve engendrar o senso de mudança e fomentar isso. A partir desse movimento inicial pode-se surgir novas possibilidades para colaborar com um desenvolvimento mais sustentável do mundo sem que deixem de lucrar com isso, esse é o O FUTURO DOS COMBUSTÍVEIS.

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